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	<title>Rafael Falcón em Perspectiva</title>
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	<description>Porque em perspectiva tudo fica mais bonito</description>
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		<title>Rafael Falcón em Perspectiva</title>
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		<title>Ele e o outro</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Dec 2009 06:35:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Falcón</dc:creator>
				<category><![CDATA[Minhas Artes]]></category>

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		<description><![CDATA[A segunda vez foi quando nos encontramos casualmente, eu, ele e meu amigo que o achava um idiota. Ele nos cumprimentou brevemente e com olhar passivo. Meu amigo não gostou da ideia de ter de falar com Emmanuel, mas não quis fazer uma falta de educação. Eu talvez fosse quem mais queria que aquele encontro [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rafaelfalcon.wordpress.com&blog=3618430&post=294&subd=rafaelfalcon&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>A segunda vez foi quando nos encontramos casualmente, eu, ele e meu amigo que o achava um idiota. Ele nos cumprimentou brevemente e com olhar passivo. Meu amigo não gostou da ideia de ter de falar com Emmanuel, mas não quis fazer uma falta de educação. Eu talvez fosse quem mais queria que aquele encontro acontecesse.</p>
<p>- Então o que você tem feito? &#8211; perguntou meu amigo.<br />
- Nada demais, respondeu Emmanuel, dando de ombros.<br />
- Não anda mais ofendendo as pessoas?</p>
<p><span id="more-294"></span></p>
<p>Meu amigo estava provocando. Eu não sabia do que ele estava falando, mas imaginei que tivesse algo a ver com seus bons sentimentos a respeito de Emmanuel. Apenas olhei curiosa, enquanto o acusado se manifestava:</p>
<p>- Está magoado?<br />
- Nunca me magoaria com um idiota.<br />
- Você está magoado.</p>
<p>Tenho de reconhecer que a expressão de Emmanuel era irritante, e seu tom de voz piorava. Ele não deixaria meu amigo em paz.</p>
<p>- Não estou magoado, mas a sua atitude foi equivocada.<br />
- Porque eu disse a verdade?<br />
- Vai começar.<br />
- A verdade, mesmo na boca de um idiota, é como um raio que cai de uma nuvem. Não é a nuvem quem te choca, mas o raio.</p>
<p>Aquilo estava ficando terrível, e Emmanuel não parecia perceber o que estava causando. Meu amigo ficou muito irritado e começou a ceder às emoções:</p>
<p>- A verdade é que ninguém te suporta, a não ser os seus amigos.<br />
- Se os amigos não me suportassem, que amigo eu seria?<br />
- Seus amigos são puxa-sacos.<br />
- Meus amigos querem enxergar, e você não quer.<br />
- Seus amigos são burros.<br />
- Isso mostra que o burro, quando quer, é melhor que o inteligente, quando não quer.<br />
- É melhor porque é seu amigo?<br />
- É melhor porque não odeia que os outros percebam seus defeitos; odeia os defeitos.<br />
- Odiar os meus defeitos não me impede de ver os seus.<br />
- O meu defeito é querer que você mude os seus defeitos.<br />
- Todos têm defeitos.<br />
- Como você não pode ver os meus, você os inventa.<br />
- Seus amigos é que não têm senso crítico.<br />
- Senso crítico é falar mal do que te aborrece. Isso já se chamou maledicência.<br />
- Você é estúpido, é um cego adulado por outros cegos. Você não vale nada. Você defende o ódio a quem é menosprezado, a marginalização das vítimas, você é manipulado, insensato e acrítico. Você só fala sofismas e ridiculariza quem vê a verdade sobre você. Você é mau caráter e nojento. Tenho nojo de você, você é nojento.</p>
<p>Meu amigo saiu sem se despedir. Esse é um efeito que Emmanuel parecia ter nas pessoas. Mas ele mesmo ficou apenas observando, enquanto o meu amigo virava a esquina, e seu rosto estava preocupado e triste. Isso me pareceu muito generoso, pois eu em seu lugar estaria ofendida, e ele parecia pensar apenas no meu amigo, que o havia ofendido. A partir dali eu respeitei Emmanuel.</p>
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		<title>Ele e o resto</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Dec 2009 01:28:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Falcón</dc:creator>
				<category><![CDATA[Minhas Artes]]></category>

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		<description><![CDATA[Esta é a história de um segredo.
Quando o vi pela primeira vez, ele me pareceu quase normal, o que era um pouco detestável; principalmente quando se leva em conta o quanto eu estava cercada de seres bizarros que, a despeito de sua bizarra complexidade, àquela altura já me causavam algum triste enfado. Mas ele era [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rafaelfalcon.wordpress.com&blog=3618430&post=287&subd=rafaelfalcon&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Esta é a história de um segredo.</p>
<p>Quando o vi pela primeira vez, ele me pareceu quase normal, o que era um pouco detestável; principalmente quando se leva em conta o quanto eu estava cercada de seres bizarros que, a despeito de sua bizarra complexidade, àquela altura já me causavam algum triste enfado. Mas ele era quase normal. Vestia-se normalmente, penteava os cabelos. Seu rosto não era inexpressivo, mas também não tinha emoções fortes. Quando eu o vi, ele parecia ligeiramente preocupado, mas assim, só ligeiramente. Não lhe prestei a menor atenção até um colega ao meu lado dizer:</p>
<p>- Esse cara é um idiota.</p>
<p><span id="more-287"></span></p>
<p>De início não me pareceu grande coisa, mas não consegui segurar a curiosidade por muito mais tempo. Eu precisava saber por que aquele sujeito pacato, quase imperceptível, era um idiota. Responderam-me que tinha opiniões imbecis e perigosas, que era um insensato, um louco. Olhei para ele novamente, e o vi amarrando os sapatos com uma expressão inocente de dar dó. Não parecia sequer uma pessoa que tinha opiniões, quanto mais um louco perigoso; esse mistério me atraiu e por causa dele tudo aconteceu.</p>
<p>No dia seguinte eu o procurei com os olhos no mesmo lugar, e lá estava ele, caminhando semissorridente e olhando com sua exótica inocência para a frente. Andei em sua direção e fiz o que adoro fazer: quebrei o gelo com um completo estranho. Dei-lhe um susto ao dizer &#8220;oi&#8221;, mas seu espanto não chegou a ser expressivo, para meu completo desprazer. Ele respondeu com um tom curioso, e eu lhe perguntei:</p>
<p>- Qual é o seu nome?</p>
<p>Ele pareceu ficar mais curioso ainda. Ergueu as sobrancelhas e respondeu:</p>
<p>- Emmanuel.<br />
- Oi, Emmanuel.<br />
- Oi.</p>
<p>Tenho que admitir que eu estava impressionada com a naturalidade dele, a tranquilidade com a qual falava. Estava curioso, mas não com medo, nem naquela tensão em que os homens normalmente ficam quando são surpreendidos por uma moça. Tentei provocá-lo:</p>
<p>- Emmanuel, posso te perguntar uma coisa?<br />
- Pode sim&#8230;<br />
- Por que as pessoas te acham um idiota?</p>
<p>Isso o fez hesitar alguns segundos, mas ainda assim parecia que era mera surpresa, e não tensão, nem medo, nem intimidação. Ele respondeu depois de um suspiro suave:</p>
<p>- Um cara alugou uma casa e fez várias festas lá. A casa ficou uma calamidade: móveis arruinados e vizinhos enfurecidos com o barulho. No fim do mês, veio o dono e disse que ele devia parar de fazer aquilo, senão a casa seria tomada de volta, e o sujeito teria que pagar uma indenização. O cara ficou com medo, mas logo esqueceu e continuou fazendo festas. Então o dono mandou um mensageiro para repetir o aviso. O que esse cara saiu falando sobre o mensageiro e sobre o dono da casa?<br />
- Saiu falando mal.<br />
- Que tipo de coisas você imagina que ele diria?<br />
- Que o dono é injusto e que o mensageiro é um capanga, um chato, algo assim.<br />
- Então, é por isso que as pessoas dizem que sou um idiota.</p>
<p>Fiquei irritadíssima. Encarei a expressão de bunda do sujeito, que estava obviamente se sentindo o maior, e não sabia o que retorquir a semelhante tolice. Não escondi a irritação na pergunta que lhe fiz:</p>
<p>- Você é o mensageiro?<br />
- Sim.<br />
- E o dono, quem é? Deus?<br />
- Você não conhece&#8230;</p>
<p>Agora eu estava chocada mesmo. Não é que o homem era louco? Do que ele estava falando? Olhei fundo nos olhos dele, e vi a tranquilidade reinando absoluta; ele aparentemente sabia o que eu estava pensando, porque sua expressão era complacente, como se me perdoasse por alguma coisa. Eu, porém, não podia perdoá-lo por aquela situação esquisita. Saí sem dizer tchau. E esse foi o nosso primeiro encontro.</p>
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		<title>Poça de Sangue</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Dec 2009 03:22:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Falcón</dc:creator>
				<category><![CDATA[Existenciais]]></category>
		<category><![CDATA[Metablogagens]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando eu tinha quinze anos, escrevi um poema excepcional, não por qualidade poética, mas por inspiração autêntica e pura, que revelava de modo quase transparente o que se passava dentro de mim. Poça de Sangue é uma límpida fonte para conhecer o modo como eu percebia o amor aos quinze anos. Lamentavelmente, o texto perdeu-se, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rafaelfalcon.wordpress.com&blog=3618430&post=279&subd=rafaelfalcon&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Quando eu tinha quinze anos, escrevi um poema excepcional, não por qualidade poética, mas por inspiração autêntica e pura, que revelava de modo quase transparente o que se passava dentro de mim. Poça de Sangue é uma límpida fonte para conhecer o modo como eu percebia o amor aos quinze anos. Lamentavelmente, o texto perdeu-se, e restou apenas o que retive na memória; ganhou, assim, existência semelhante aos mitos, e seu sentido completo é para mim um mistério, porque já não tenho o objeto em si mesmo para analisar. Possuo, no entanto, as sensações que tive ao escrevê-lo e o reler algumas vezes, pois tudo isso está na minha lembrança.</p>
<p>A primeira parte do texto existe para mim como um conjunto de impressões. Lembro-me fortemente de expressões de dor, da figura de uma espada cortando o tendão, e de um abismo solitário. A sensação era de um mundo reativo e inimigo, quixotesco até, pois tudo eram grandes moinhos a atacar-me caoticamente; o elemento social, pelo que me lembro, comparecia sob a forma de máscaras que riam na escuridão, isto é, atacando-me do mesmo modo, sem que eu pudesse apreender uma ordem naquilo tudo. Pode-se dizer que eu, isto é, a unidade subjetiva da minha força vital, fui desintegrado pelas forças externas ou meramente por existir sozinho no mundo das forças externas. Daí surgia a poça de sangue, o substrato dessa fase. O sangue é a força vital, que perdeu a unidade do eu e se tornou uma poça inerte. A poça de sangue, então, é a imagem das ruínas que um dia foram vida; é a casca morta da vida; é o triste signo do nada que já foi alguma coisa.</p>
<p><span id="more-279"></span></p>
<p>Eu era, então, uma ruína, uma coisa destruída pela laceração contínua. Meu próprio ser estava desintegrado pelo sofrimento. Então surge uma ruptura que inicia nova etapa do poema. Disso eu me lembro com clareza musical:</p>
<blockquote><p>O amor mais puro, o mais belo amor<br />
É aquele que nasce da poça de sangue;<br />
Aquele que brota do vermelho mangue,<br />
Tirado de lá por um bom pescador.</p></blockquote>
<p>No meu entender, dessa ruína terrível e triste é que brotava o amor em sua forma mais perfeita. Isso já é uma ideia bastante peculiar, mas que me soava perfeitamente natural. O amor é gerado espontaneamente pelo sofrimento, e o sofrimento perfeito gera o amor perfeito. Porém, é preciso um pescador, uma outra pessoa (supõe-se: o amado) que por um ato de vontade lança sua isca na horrível poça para tirar de lá a flor supra-drummondiana. E eu prosseguia, dando pessoalidade à tese:</p>
<blockquote><p>Ah, minha pescadora!<br />
Vossas mãos me abraçaram, euforia!<br />
O quanto me agrada ser vossa alegria!<br />
E dou-me para que me devoreis agora;<br />
Meu amor é vosso, meu peito ignora<br />
Qual dor me causeis em cada mordida.<br />
Se tiverdes fome, sou vossa comida,<br />
E se vos satisfizer desfaleço contente.</p>
<p>E, se quiserdes-me dentro de vós,<br />
Quanta alegria não poderei ter!<br />
Em vossa função haverei de viver,<br />
E desejarei ser vosso mais lentamente:<br />
Acariciarei a ponta do vosso dente<br />
Antes que ele me possa espremer.</p></blockquote>
<p>Esse grotesco ritual de antropofagia chega a adquirir alguma beleza pelo fato de que a vítima se entrega livremente e cheia de felicidade. O prazer de acariciar o dente antes de ser mastigado indica um tipo diferente de sofrimento; o anterior era mau, porque se realizava na minha destruição, sem mais, sem que a minha identidade tivesse a menor importância. Era destruição completa, aniquilamento automático que não considerava quem estava aniquilando. Porém, agora eu sou pescado; meu amor é cuidadosamente procurado, encontrado e abraçado pela pescadora, para que eu possa ser consumido. E eis tudo o que eu quero: ser amado e consumido por quem me ama, até que nada reste. Então eu digo:</p>
<blockquote><p>E, quando terminardes, não vos sentireis culpada;<br />
Pois quando provardes a última parte<br />
Vereis que estou em vós, e vós, destarte,<br />
Vereis que estais também em mim;<br />
Que traguei-vos pra cá, e vós, outrossim,<br />
Tragastes-me a vós, em reciprocidade.<br />
E vereis que não sou vosso, e nem vós sois minha;<br />
Vereis que amar não é estar sozinha.<br />
Vereis que é justamente o oposto:<br />
Que é com o ser amado, e assim que é posto,<br />
Haverá nós dois, mas não haverá rosto.</p></blockquote>
<p>Pelo estranho ritual antropofágico, em que eu sou passivamente procurado e devorado por minha amada, opera-se um mistério, uma fusão estranha na qual se descobre que eu mesmo também a modifiquei, também a traguei e devorei de algum modo. E acontece uma tal fusão harmoniosa que nossa existência dupla passa a ser real somente na essência, enquanto nas aparências somos um só. Tornamo-nos um. Por isso mesmo, somos dois, um com o outro, fazendo companhia, sob a aparência de unidade. Ela me devorou, mas eu continuo existindo, e permaneço com ela. Daí vem a conclusão:</p>
<blockquote><p>Amar não é dor, embora da dor venha;<br />
Amar não é simples, é simples a vida.<br />
Amar é encontrar em outro uma guarida,<br />
Amar é fundir-se e descobrir-se completo;<br />
É ver que o mundo já é obsoleto,<br />
É beber num copo a poça de sangue.</p></blockquote>
<p>A versificação medíocre quase desaparece, na minha leitura sentimental, e quase consigo ignorar a dose de clichês nesses versos, quando contemplo o primeiro e os dois últimos. O primeiro verso resume a ideia central do poema. O penúltimo mostra a superação do mundo, que primeiramente criara a poça de sangue, e essa superação se dá pelo amor, que é o renascer das cinzas com a ajuda do ser amado. No amor, o sofrimento ganha sentido, e se transforma na semente mesma do renascimento. A suprema dor e o supremo vazio é que, paradoxalmente, acabam por levar à plenitude de vida na união amorosa. O último verso, porém, tem algo de genialidade em sua simplicidade caótica: a poça de sangue é bebida num copo. Toda a dor insuportável, que resultara na completa destruição do eu, torna-se palatável e até desejável, e é bebida como um drink, com elegância, civilidade até.</p>
<p>Isto resume provavelmente a vivência mais profunda dos meus quinze anos, o ponto mais agudo da minha inteligência na época, e o meu aspecto emocional mais importante. A superação das dores passadas e do completo desespero pela reformulação de todo o meu passado só pôde dar-se mediante um novo ponto de apoio, um novo fim. Afinal, é o sentido o que organiza todo o material bruto; sem um sentido, eu estava mergulhado numa estática poça de desespero; mas com o amor eu tinha um objetivo, um foco, e nisso mesmo as piores coisas ganhavam uma conotação positiva: tornavam-se obstáculos e oportunidades no caminho que, agora, eu vislumbrava. A vida deixa de ser circular e se torna linear; eu finalmente posso abandonar as frustrações vazias da infância e começar a, lentamente, virar homem.</p>
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		<title>Pequena Exegese do último post</title>
		<link>http://rafaelfalcon.wordpress.com/2009/11/25/pequena-exegese-do-ultimo-post/</link>
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		<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 21:13:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Falcón</dc:creator>
				<category><![CDATA[Metablogagens]]></category>

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		<description><![CDATA[Vejo certa utilidade em explicar algumas partes do último post que, apesar de não concederem automaticamente a compreensão do texto, podem ser instrumentos importantes para a sua aquisição. O sentido global do post não pode ser explicado aqui, pelo menos não por mim; provavelmente eu gastaria dezenas de páginas para o primeiro parágrafo. Portanto, o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rafaelfalcon.wordpress.com&blog=3618430&post=266&subd=rafaelfalcon&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Vejo certa utilidade em explicar algumas partes do último post que, apesar de não concederem automaticamente a compreensão do texto, podem ser instrumentos importantes para a sua aquisição. O sentido global do post não pode ser explicado aqui, pelo menos não por mim; provavelmente eu gastaria dezenas de páginas para o primeiro parágrafo. Portanto, o leitor faça sua própria introjeção do texto, que talvez seja mais rica que a minha.</p>
<p><span id="more-266"></span></p>
<p>I. Teofrasto significa &#8220;aquele que fala como um deus&#8221;. Foi o sucessor de Aristóteles no Liceu; também é parte do nome do médico e mago Paracelso.</p>
<p>II. A montanha é universalmente símbolo da elevação espiritual, enquanto a floresta representa a ignorância e confusão em que vivem todos os homens. Os adjetivos dados a essas imagens também não são dispensáveis.</p>
<p>III. A árvore, especialmente o carvalho, representa a Natureza, a saber, a face de Deus que mantém a realidade em ordem por meio da contínua renovação da vida. No hinduísmo, essa face é chamada Vishnu (ou Krshna).</p>
<p>IV. O &#8220;mistério de ti e de mim&#8221; não tem apenas força retórica, mas pretende expressar uma ideia precisa. Significa o mistério que emana, ao mesmo tempo, do masculino e do feminino, quando eles se unem; isto é, uma unidade que emana da duplicidade complementar. Esse é o mistério do matrimônio. Quem tiver ouvidos para ouvir, que ouça&#8230; <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>V. &#8220;Pois eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra fundarei a minha Igreja. E as portas do Inferno não prevalecerão sobre ela&#8221;; a Pedra de apoio é também a Pedra Filosofal, que concede a Eternidade ao que a alcança.</p>
<p>VI. O filho é a realização sólida, orgânica e perfeita do mistério do matrimônio. Quem tiver ouvidos&#8230;</p>
<p>Pretendo tirar algum aspecto desse texto e trabalhá-lo teoricamente, no futuro. Não me importaria (lítotes que quer dizer &#8220;eu gostaria&#8221;) de discutir suas próprias interpretações de alguns aspectos dele. Quando lidamos com símbolos, o texto fica mais inteligente que o autor.</p>
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		<title>O Casamento do Mago</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Nov 2009 01:39:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Falcón</dc:creator>
				<category><![CDATA[Existenciais]]></category>
		<category><![CDATA[Minhas Artes]]></category>

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		<description><![CDATA[Nalgum lugar entre a montanha celeste e a floresta dos murmúrios, vivia há trinta anos um mago chamado Teofrasto, que alcançara a iluminação. Desde então, o mago vivia numa atmosfera maravilhosa e incomunicável: tudo em volta lhe parecia de ouro (e, de fato, ele era capaz de converter o mais rude musgo numa pepita valiosa). [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rafaelfalcon.wordpress.com&blog=3618430&post=262&subd=rafaelfalcon&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Nalgum lugar entre a montanha celeste e a floresta dos murmúrios, vivia há trinta anos um mago chamado Teofrasto, que alcançara a iluminação. Desde então, o mago vivia numa atmosfera maravilhosa e incomunicável: tudo em volta lhe parecia de ouro (e, de fato, ele era capaz de converter o mais rude musgo numa pepita valiosa). Seus poderes alcançaram a elevação suprema, pelo que nada lhe era impossível, e mesmo a consciência, cuja deficiência levara muitos magos a perderem-se pelas próprias mãos, em Teofrasto estava apurada ao máximo, pois ele se entendia no todo da natureza e compreendia o ponto transcendente para o qual tendiam todas as coisas, e pelo qual tudo havia sido criado e era mantido. É claro que você não entendeu uma palavra do que eu disse.</p>
<p><span id="more-262"></span></p>
<p>(alguns idiotas acham que entenderam, suponho, e nada os convencerá do contrário; digo apenas que eu mesmo não compreendo inteiramente, e que, se Teofrasto compreendia, é porque estava acima de seu narrador e muito acima de seus leitores. Mas que herói, se é verdadeiro herói, não é assim? Fiquemos, portanto, com isto: que Teofrasto nos era muito superior, e essa ideia bastará para entender o restante da estória)</p>
<p><!--more--></p>
<p>Um dia, esse jovem mago estava colhendo gotas de orvalho para um soro de êxtase da verdade, quando se deparou com uma triste figura: como num vil encantamento, uma moça brotava do tronco do Grande Carvalho, aprisionada e imóvel pelas forças da natureza. Teofrasto não era de muitas palavras, e seu senso moral era profundo o bastante para que ele visse a ação reta sem precisar de demasiada ponderação; três sinais cabalísticos rapidamente desenhados sobre o ar libertaram o corpo e a alma da jovem e a pousaram delicadamente na grama. Assim ela despertou; mas como não soubesse que antes estava presa, não soube que havia sido libertada, e permaneceu indiferente a seu salvador.</p>
<p>Porém Teofrasto repentinamente sofreu uma iluminação, o que lhe era bem habitual, e percebeu a grandeza daquele momento. Quando a moça se levantou e olhou para ele, seus olhos amendoados e curiosos examinando-o sem gratidão, o mago entrou num frenesi místico e, em lágrimas, atirou-se aos pés dela, implorando:</p>
<p>- Ama-me, casa-te comigo! Concede-me, eu te peço, a graça de possuir o mistério de ti e mim; tampouco te preocupes se não foste dotada com muita inteligência, e se meramente me amares em silêncio com inocência e simplicidade. Nem quero saber quem és ou o que me pedirás. E bem que nunca te desejei antes de agora, porque não te conhecia, mas a partir de hoje não poderei ser feliz sem teu amor. Ama-me então! Dar-te-ei a minha plenitude, e em troca peço apenas que a aceites, para que te fecunde e dê fruto, e multiplique por cem e me preencha com o mistério das coisas no amor. Ama-me então!</p>
<p>E a moça, não entendendo bem o que ele queria dizer, sorriu para ele e achou engraçado; ele porém sorriu de volta, e parece que ela soube o que fazer. Abraçou-o com um abraço puro e deu à luz um menino chamado Pedro; carregando-o ainda no colo, voltou-se para Teofrasto e lhe perguntou: &#8211; Não era isto mesmo que me tinhas pedido? E ele respondeu: &#8211; Nada mais que isto. Pelo que viveram felizes para sempre.</p>
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		<title>A Rosa Mística</title>
		<link>http://rafaelfalcon.wordpress.com/2009/11/06/a-rosa-mistica/</link>
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		<pubDate>Fri, 06 Nov 2009 20:29:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Falcón</dc:creator>
				<category><![CDATA[Existenciais]]></category>
		<category><![CDATA[Minhas Artes]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu andava pelas cidades e vales com a imaginação tomada por possibilidades. Pensava na vida, nos sentidos, na sociedade, na construção civil, na religião; pensava no que me aparecia como sendo parte da vida humana, aqui e acolá. Pensava na dor e na alegria, e era isso o que eu chamava de tristeza e felicidade, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rafaelfalcon.wordpress.com&blog=3618430&post=260&subd=rafaelfalcon&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Eu andava pelas cidades e vales com a imaginação tomada por possibilidades. Pensava na vida, nos sentidos, na sociedade, na construção civil, na religião; pensava no que me aparecia como sendo parte da vida humana, aqui e acolá. Pensava na dor e na alegria, e era isso o que eu chamava de tristeza e felicidade, de mal e de bem.</p>
<p>Minha vida era ocasião de muitas desventuras, porque eu me entendia como um lugar em que as forças do destino brigavam, trazendo ora a felicidade, ora a tristeza, preenchendo-me, tomando-me. Minha vida era um enfadonho romance, pode-se dizer, com medíocres reviravoltas que me serviam mal no lugar de aventuras grandiosas e ficcionais.</p>
<p><span id="more-260"></span></p>
<p>Eis que passei dos limites e fiz mal a alguém; tirei-lhe a vida, a esperança e a possibilidade de voltar a viver. E logo vi que o mal não doía; antes era algo pacífico, neutro, objetivo até. O sofrimento que minha vítima sentiu não me feria. Logo percebi que quanto maior o mal menos dor havia! Porém eu sentia algo. Mas era diferente do que eu chamava de felicidade ou tristeza. Não era uma sensação, na verdade; era mais a percepção de um conflito. Pois toda sensação vem acompanhada de um impulso; o prazer atrai, a dor repele; mas esta era indecifrável, e era como <em>dois</em> impulsos que brigavam. Como um não vencesse o outro, pude distrair-me de seu combate mesquinho e examinar uma outra parte de mim que estava ali.</p>
<p>Assim vi que eu era três, e que a felicidade e a tristeza, conforme eu as entendia, não eram senão atrizes no palco da minha alma, cujo grande patrocinador e diretor era um terceiro. Este senhor distinto e elegante, aparentemente, passava os dias assistindo às encenações da dupla de meretrizes, que ele mesmo pagava e aplaudia, desinteressado de sua própria função na vida. Perdido de si, ele procurava concentrar-se no palco. E percebi que, distraído como estava, ele não dava àquela peça a sua unidade, não guiava os acontecimentos para um fim determinado, mas deixava as duas senhorinhas improvisarem continuamente. Como aquilo não parecia justo nem para elas nem para mim, tratei de acordá-lo, e lhe disse: &#8211; Anda! Que sem ti esta peça não acaba em tempo. Não podemos viver de improvisação! E ele, tirando uma rosa da lapela, entregou-me e disse: &#8211; Planta-a onde chove e faz sol, para que não pereça por secura nem seja afogada por enchentes. Tenho a rosa em mãos, mas és tu o responsável por plantá-la. E, se bem que ela deve ter água e luz, não me esquecerei de fazer com que cresça sempre para o alto; quanto a isso, é coisa da natureza que os contrários coexistam em benefício do que é superior.</p>
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		<item>
		<title>Contra mortem</title>
		<link>http://rafaelfalcon.wordpress.com/2009/10/31/contra-mortem/</link>
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		<pubDate>Sat, 31 Oct 2009 04:55:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Falcón</dc:creator>
				<category><![CDATA[Existenciais]]></category>
		<category><![CDATA[Minhas Artes]]></category>

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		<description><![CDATA[Fecha os olhos e vê: há uma rosa vermelha
No topo da montanha, e não queres olhar.
Olha, olha! Já se agita
A brisa da montanha
Ela vai, como que colhe
A rosa da montanha
E valsando procura a teu lado pousá-la.
Procura; não pode. Esta brisa é instável;
Move-se, move-se, e a rosa desfaz.
Move-se;
Move-se&#8230;
Pétalas caem
Sobre o teu rosto
E o colo suave,
E sentes [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rafaelfalcon.wordpress.com&blog=3618430&post=258&subd=rafaelfalcon&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Fecha os olhos e vê: há uma rosa vermelha<br />
No topo da montanha, e não queres olhar.<br />
Olha, olha! Já se agita<br />
A brisa da montanha<br />
Ela vai, como que colhe<br />
A rosa da montanha<br />
E valsando procura a teu lado pousá-la.</p>
<p>Procura; não pode. Esta brisa é instável;<br />
Move-se, move-se, e a rosa desfaz.<br />
Move-se;<br />
Move-se&#8230;<br />
Pétalas caem<br />
Sobre o teu rosto<br />
E o colo suave,<br />
E sentes as pétalas roçando suaves<br />
A pele grosseira que tu maltrataste.</p>
<p>E súbito vês: não era mais rosa!<br />
Líquidas pétalas cobrem de sangue<br />
O teu colo vermelho, teu rosto gentil<br />
E vês que teus pés vão-se rápido fixando<br />
Tornando-se caule, tornando-te rosa;<br />
És rosa e contemplas, do alto da montanha,<br />
Os vales abaixo&#8230; os rios defluindo,<br />
Uma moça chorando aos pés da montanha!&#8230;</p>
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	</item>
		<item>
		<title>Tantum</title>
		<link>http://rafaelfalcon.wordpress.com/2009/10/30/tantum/</link>
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		<pubDate>Fri, 30 Oct 2009 05:35:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Falcón</dc:creator>
				<category><![CDATA[Existenciais]]></category>
		<category><![CDATA[Minhas Artes]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu estava num ponto de ônibus quando vi uma moça passar. Sisuda, andar firme, não olhava para os lados. Nem um pingo de doçura. Era rígida, dessas mulheres que não se amam; quem ama esta mulher? Não sei; a ideia parece-me absurda. Mas ela passava frígida, lábios espremidos com força debaixo do nariz adunco. Magricela. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rafaelfalcon.wordpress.com&blog=3618430&post=254&subd=rafaelfalcon&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Eu estava num ponto de ônibus quando vi uma moça passar. Sisuda, andar firme, não olhava para os lados. Nem um pingo de doçura. Era rígida, dessas mulheres que não se amam; quem ama esta mulher? Não sei; a ideia parece-me absurda. Mas ela passava frígida, lábios espremidos com força debaixo do nariz adunco. Magricela. Odiei. Que passe, pensei, rápido como as dezenas de outras iguais que vejo neste ponto de ônibus. Que passe.</p>
<p>Mas ela viu chegar seu ônibus, o que me deu uma pontinha de raiva. Pude ver a expressão desagradável em seu rosto moldar-se a algo como esperança, mas esperança num rosto desagradável. Odiei sua satisfação, ela que não sorria, que não amava; ela que eu não amava. Irritei-me; esperava há mais de quinze minutos pelo meu ônibus.</p>
<p><span id="more-254"></span></p>
<p>E ela subiu no ônibus contente, completamente despreocupada da minha espera, da minha angústia. Ela sorria aliviada, quando meu alívio estava longe de chegar. Era injusto; mas ela caiu e, parece, torceu o tornozelo. Às portas do ônibus, que azar.</p>
<p>(Trata-se, é claro, de um nobre sentimento, quando queres renunciar à sobrelevação natural aos homens, anunciando ao mundo que sim, pecaste, pecaste porque és fraco, todos somos et cetera.</p>
<p>Bem queria compor alguma pequena ode ao homem para louvar-lhe a incapacidade de não ser ridículo; na verdade, em verdade vos digo que eu gostaria de sentir-me culpado. Em verdade vos digo que eu gostaria de ter profundos complexos psíquicos por causa disto. Gostaria de ser um religioso problemático envolto nalguma sensação incomunicável.</p>
<p>Sinto-me apenas ridículo. E descobri o sentido do pecado: é algo ridículo. Não é terrível nem monstruoso. É ridículo como uma ameba cuspindo. O pecado é uma ameba cuspindo)</p>
<p>Quando ela caiu eu ri de satisfação. E aproveitei para olhar a calcinha aparecendo entre as pernas abertas. Aquelas pernas abertas que nunca seriam amadas. E eu cuspi nelas, cuspi com toda a minha imaginação. Cuspi com o ódio de quem sabia que, fazendo aquilo, libertava-se da escravidão de ter que sempre amar e respeitar as mulheres frígidas dos pontos de ônibus. Eu não queria mais amar. Eu queria ser livre.</p>
<p>Então fui livre como uma ameba, e finalmente pude rir, rir sem parar. Pude desprezar toda a gente ao meu redor, que acorria para salvá-la ou ver sua desgraça. Pude rir sem jeito de mim mesmo, por ter querido bem àquelas moças duras, inamáveis, por ter querido querê-las bem&#8230; Então eu fui livre, e foi como se já não vivesse. E descobri outra coisa: que a liberdade é triste como uma semente que desistiu de brotar. Eis-me desbrotado, a dar os falsos frutos do meu pecado. Sou ridículo. Ridículo como Dostoiévski.</p>
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	</item>
		<item>
		<title>Ando pensando</title>
		<link>http://rafaelfalcon.wordpress.com/2009/10/12/ando-pensando/</link>
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		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 00:24:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Falcón</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
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		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

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		<description><![CDATA[Sei que parece incrível, mas é verdade. Ando pensando muitas coisas, mas agora estou com esse estranho hábito de pensar direito antes de sair falando. Tenho ideias, mas todas são como faíscas saindo da pedra de acender fogo. A fogueira mesmo ainda vai demorar para sair. De qualquer modo, às vezes sai um fogo-de-palha que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rafaelfalcon.wordpress.com&blog=3618430&post=251&subd=rafaelfalcon&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Sei que parece incrível, mas é verdade. Ando pensando muitas coisas, mas agora estou com esse estranho hábito de pensar direito antes de sair falando. Tenho ideias, mas todas são como faíscas saindo da pedra de acender fogo. A fogueira mesmo ainda vai demorar para sair. De qualquer modo, às vezes sai um fogo-de-palha que eu posto no blog.</p>
<p>Sei que você se acha muito esperto, mas eu também percebi que faz meses que não posto nada sem o nome de Deus. Ôps, fiz de novo. Andei preocupado com a minha relação com Ele, mas agora estamos nos resolvendo, aos poucos e com muitas concessões da parte dEle, esse Amor de Pessoa. Não mereço nem metade das concessões, mas o amor não é assim? É sim.</p>
<p>Alguns dos possíveis temas dos meus próximos posts (porque são assuntos sobre os quais ando tendo insights) são: educação, linguagem, casamento/filhos (isso mesmo, com <a title="Nanica" href="http://nightssecret.blogspot.com" target="_blank">aquela nanica</a>), misticismo, desenvolvimento da personalidade/hipnose. Tem mais coisas, mas isso é o que lembro agora. Vai saber o que vou tirar disso tudo. Tchau.</p>
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		<title>Crer ou não crer</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Sep 2009 11:46:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Falcón</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Existenciais]]></category>

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		<description><![CDATA[Deus fala conosco. Não só por milagres, os sinais incontestáveis que ele fornece para chocar o entendimento humano; não só pela instituição chamada Igreja Católica, que interpreta, divulga e resguarda Seus mandamentos misteriosos; não só pelas Escrituras, que são o testemunho de Sua encarnação incompreensível. Deus fala, sempre que o mundo existe; fala por meio [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rafaelfalcon.wordpress.com&blog=3618430&post=242&subd=rafaelfalcon&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Deus fala conosco. Não só por milagres, os sinais incontestáveis que ele fornece para chocar o entendimento humano; não só pela instituição chamada Igreja Católica, que interpreta, divulga e resguarda Seus mandamentos misteriosos; não só pelas Escrituras, que são o testemunho de Sua encarnação incompreensível. Deus fala, sempre que o mundo existe; fala por meio das outras pessoas, mesmo quando elas não percebem; fala pelos fatos. A realidade é a linguagem de Deus; eis porque jamais há contradição entre Deus e a realidade.</p>
<p>Deus não fala só com os que professam a fé católica, nem só com os que professam alguma fé. Ele fala com todas as pessoas, porque os fatos existem para todos os seres inteligentes. E Ele não apenas fala; seu discurso eterno é apaixonado, intenso, pessoal. Deus nos ama individualmente e pessoalmente, sim; Ele fez nossas almas uma por uma, e planejou nossa salvação de acordo com as nossas necessidades particulares. Deus nos ama pessoalmente e infinitamente, como só Ele pode amar.</p>
<p><span id="more-242"></span></p>
<p>Eis por que crer em Deus não é uma questão de sofrer uma revelação ou ver um milagre. Crer em Deus é uma coisa perfeitamente natural; decorre da razão mais plena, do uso mais completo de todas as faculdades e sentidos humanos. O homem só deixa de crer depois de duvidar dos seus primeiros instintos; depois de entrar no mundo das abstrações, em que ele pode tentar se imaginar visto de cima. Abandonar a crença é um ato de artificialismo, abstração e desconexão com os sentidos e com a realidade.</p>
<p>Quando deixaste de crer? Com cinco anos? Não; com treze ou quinze, certamente. Mas é que acreditavas porque teus pais te diziam? Não; é que crer era perfeitamente natural. Não acreditavas quando te diziam que brincar na chuva fazia mal; isso, querias testar. Nem creste quando disseram que o mundo era mau; saíste para verificar. Mas creste logo em Deus, que não corresponde a nenhum objeto particular, que é uma idéia tão exótica, tão sem analogia; e creste com tal pureza que sabias exatamente quem era Deus.  E por que deixaste de crer? Porque questionei, dizes. E por que questionaste? Porque fui esperto; porque aprendi que a religião é usada para dominar as pessoas. Mas não pode a verdade ser usada para dominar as pessoas? É claro que pode. Então não foi por isso que duvidaste da verdade divina. Por que foi? Posso apenas especular. Será que tiveste mágoas? Sofrimentos? Alguém te castigou e atribuíste a Deus? Foste torturado, estuprado, assassinado? Não parece.</p>
<p>Parece mais que quiseste inovar, ser diferente; ou que percebeste que professar fé em Deus não era de bom-tom, que te fazia parecer tolo; seguir mandamentos da Igreja? Assim não és independente, não pensas com liberdade; ou pelo menos é o que dirão os demais. Então escolheste os grilhões dos outros, que te proíbem de professar religião, e agora não podes crer, não podes confiar na Igreja, sob pena de exclusão da elite dos livres-pensadores. Agora escolhes tuas crenças cuidadosamente; será que o céu é azul? Vejamos o que dizem meus amigos, ou os autores que lhes dizem o que pensar.</p>
<p>É claro que não é tão simples. Há também a questão da auto-imagem. Como poderias gostar de ti mesmo se fosses igual àquele crente ignorante, sujo e desesperado? Como poderias suportar a existência seguindo os mesmos passos na fé que seguiram os teus pais? Sem mostrar a eles que estão errados, que não pensaram direito? Poderias lidar com a vida se não inovasses um pouquinho? Se não fosses mais inteligente que quem te gerou?</p>
<p>Ou dirás que não, não foram esses teus motivos; foi a razão, pois viste que Deus é um absurdo. E como foi que viste isso? Não foi segundo a lógica de Aristóteles, que concebeu Deus antes de qualquer cristianismo. Foi por sociologismos e fisiologismos? Pensaste que a fé, tendo usos políticos, perde sua validade metafísica? Seria um erro simples de raciocínio. Ou pensaste que a fé é uma necessidade psicológica humana? Se for, como deixaste de crer e estás vivo? És mais forte que S. Tomás de Aquino? Que Descartes, Leibniz, Spinoza? No entanto, se fosse uma necessidade psicológica, isso não provaria sua falsidade metafísica, novamente. Ou seja, não podes ter deixado de crer por causa da razão. A razão não contradiz a fé; quando não a apóia, cala-se.</p>
<p>Então por que deixaste de crer, pergunto?  Nem eu sei nem, talvez, tu sabes. Mas Deus sabe, e fala contigo; bem tentas fingir que não vês, mas não podes. Os fatos te dizem: &#8220;Eu existo&#8221;, mas gritas que não e corres. Os fatos te dizem: &#8220;Estás errado&#8221;, mas fechas os olhos com força e repetes &#8220;estou certo, estou certo&#8221;. Os fatos te dizem: &#8220;Vem para a vida&#8221; e tu corres para as garras da morte eterna. Naquele último dia, poderás dizer que não viste? Sabes bem que não. E terás mais essa dor na consciência: &#8220;a culpa é toda minha&#8221;, para sempre.</p>
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