Rafael Falcón em Perspectiva

Porque em perspectiva tudo fica mais bonito

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Crer ou não crer

Publicado por Rafael Falcón em Sábado, 19 dUTC Setembro dUTC 2009

Deus fala conosco. Não só por milagres, os sinais incontestáveis que ele fornece para chocar o entendimento humano; não só pela instituição chamada Igreja Católica, que interpreta, divulga e resguarda Seus mandamentos misteriosos; não só pelas Escrituras, que são o testemunho de Sua encarnação incompreensível. Deus fala, sempre que o mundo existe; fala por meio das outras pessoas, mesmo quando elas não percebem; fala pelos fatos. A realidade é a linguagem de Deus; eis porque jamais há contradição entre Deus e a realidade.

Deus não fala só com os que professam a fé católica, nem só com os que professam alguma fé. Ele fala com todas as pessoas, porque os fatos existem para todos os seres inteligentes. E Ele não apenas fala; seu discurso eterno é apaixonado, intenso, pessoal. Deus nos ama individualmente e pessoalmente, sim; Ele fez nossas almas uma por uma, e planejou nossa salvação de acordo com as nossas necessidades particulares. Deus nos ama pessoalmente e infinitamente, como só Ele pode amar.

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Em busca da melodia perdida

Publicado por Rafael Falcón em Quinta-feira, 28 dUTC Maio dUTC 2009

A fixação do intelectual brasileiro mediano pela sonoridade tornou-se um problema para mim, tanto quanto nunca a tive senão por acessos esporádicos.

Enquanto você tenta entender a frase acima, vou-me explicando. Se você pede a uma pessoa normal que faça um verso e se, por fim, consegue convencê-la a tanto – o que há de ser tarefa heróica – obterá algo prosaico, como que a expressão direta de algum conceito social. As pessoas comuns tendem a escrever poemas como textos em prosa com pausas no meio. As menos criativas fazem as pausas coincidirem com os pontos finais, como se cada verso fosse um gnoma, uma frase completa em si mesma. Bendito o senso de proporção das pessoas comuns.

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Falar latim

Publicado por Rafael Falcón em Domingo, 3 dUTC Maio dUTC 2009

Conto uma anedota: na comunidade Latim, do Orkut, há pessoas que desejam falar e escrever em latim. Pode parecer absurdo e, na maioria dos casos, certamente não passa de pedantismo, mas não deixa de ser pitoresco; o bastante, suponho, para que eu pense no assunto por ele mesmo, independentemente das intenções desta ou daquela pessoa que adere à ideia.

Lembro ter lido algures que Descartes ou alguém dessa laia achava que aprender latim melhorava o pensamento, não sei se em vista de certa organização natural da língua, que faltaria ao francês. Lembro claramente ter ouvido que Montaigne era obrigado pelo pai a conviver com um tutor alemão, com quem só podia falar em latim. Aparentemente, o pai de Montaigne partilhava da ideia de Descartes. Foi o Guilherme, aliás, aí do lado, quem me disse que Petrarca pensava em latim e escrevia em italiano – ainda não sei italiano o bastante para confirmar. Ideiazinha pitoresca e absurda, como seja, mas aos modernos lhes agradava. Não confio o bastante em nossa ciência de meia-pataca para desprezar-lhes a opinião. Não conheço um linguista da USP que possua metade do conhecimento linguístico de Petrarca. Leia o resto deste artigo »

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Anotações sobre a Força

Publicado por Rafael Falcón em Domingo, 19 dUTC Abril dUTC 2009

Fear is the path to the Dark Side.
Fear leads to anger;
Anger leads to hate;
Hate leads to suffering.
(Yoda, Mestre Jedi)

Em Star Wars – Guerra nas Estrelas, de George Lucas, alguns seres vivos desenvolvem habilidades especiais, baseadas geralmente em maior poder de concentração, autocontrole e força de vontade. Essas habilidades relacionam-se à Força, uma energia invisível que penetra todas as coisas, identificada com certa espécie de luz espiritual. Yoda, personagem central para o entendimento do tema, diz num filme: “luminous beings we are, not this crude matter”. O assunto tem interesse limitado, contudo o tem: é sem dúvida a proposta mais consciente de George Lucas em toda a série.

Os seres especiais que desenvolvem habilidades com a Força são chamados Jedi ou Sith, de acordo com a interpretação que fazem do funcionamento dessas mesmas habilidades e, portanto, do seu dever em relação a elas. É comum que Jedi e Sith sejam opostos como Bem e Mal, pelos desatentos e desonestos; um exame mais cuidadoso revelaria facilmente que o interesse de Lucas ultrapassa o simples maniqueísmo. Trata-se de concepção semi-oriental, em que os opostos resultam um do outro naturalmente. Isto será provado adiante. Leia o resto deste artigo »

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