Contra mortem
Publicado por Rafael Falcón em Sábado, 31 dUTC Outubro dUTC 2009
Fecha os olhos e vê: há uma rosa vermelha
No topo da montanha, e não queres olhar.
Olha, olha! Já se agita
A brisa da montanha
Ela vai, como que colhe
A rosa da montanha
E valsando procura a teu lado pousá-la.
Procura; não pode. Esta brisa é instável;
Move-se, move-se, e a rosa desfaz.
Move-se;
Move-se…
Pétalas caem
Sobre o teu rosto
E o colo suave,
E sentes as pétalas roçando suaves
A pele grosseira que tu maltrataste.
E súbito vês: não era mais rosa!
Líquidas pétalas cobrem de sangue
O teu colo vermelho, teu rosto gentil
E vês que teus pés vão-se rápido fixando
Tornando-se caule, tornando-te rosa;
És rosa e contemplas, do alto da montanha,
Os vales abaixo… os rios defluindo,
Uma moça chorando aos pés da montanha!…