Rafael Falcón em Perspectiva

Porque em perspectiva tudo fica mais bonito

Arquivo de Julho, 2009

Canção da Tarde no Campo

Publicado por Rafael Falcón em Sexta-feira, 24 dUTC Julho dUTC 2009

Cecília Meireles

Caminho do campo verde,
estrada depois de estrada.
Cerca de flores, palmeiras,
serra azul, água calada.

Eu ando sozinha
no meio do vale.
Mas a tarde é minha.

Meus pés vão pisando a terra
Que é a imagem da minha vida:
tão vazia, mas tão bela,
tão certa, mas tão perdida!

Eu ando sozinha
por cima de pedras.
Mas a flor é minha.

Os meus passos no caminho
são como os passos da lua;
vou chegando, vais fugindo,
minha alma é a sombra da tua.

Eu ando sozinha
por dentro de bosques.
Mas a fonte é minha.

De tanto olhar para longe,
não vejo o que passa perto.
Subo monte, desço monte,
meu peito é puro deserto.

Eu ando sozinha
ao longo da noite.
Mas a estrela é minha.

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Profecia

Publicado por Rafael Falcón em Segunda-feira, 13 dUTC Julho dUTC 2009

Ouvi o que ouvi do Senhor:
Rafael, disse Ele, Rafael
Levanta-te, Rafael! Acorda
contra ele em armas! Eu disse, eis as armas:

O Senhor manda dizer,
feroz, que tua arrogância
te engana, e que se habitante
das fendas de altos rochedos,
se elevas a tua morada,
se dizes contigo que o homem
não pode daí derribar-te,
acertas, bandido, mas erras:
ainda que sejas como águia
e eleves o ninho às estrelas,
Eu, que sou mais que as estrelas,
derribo-te, ingrato, do mundo.
Disse o Senhor meu Deus.

O ladrão que penetra teu lar
não te deixa o que comer?
A praga que mata a colheita
acaso não deixa os caules?
Pois tu, selvagem, roeste
os ossos de teu irmão;
tu te regozijaste
no sangue de teu irmão;
tu, maldito, louvaste
os males de teu irmão.

Eu danarei os teus sábios,
disse o Senhor meu Deus.
tirar-te-ei o entendimento,
farei ter medo os mais bravos
dentre os vossos aliados,
de modo que homem algum
da montanha de Esaú
permaneça sobre a terra.
Disse o Senhor meu Deus.

Covarde, não te apropries dos bens de teu irmão!
Selvagem, não te coloques às portas das cidades!
Ingrato, não te jubiles ao lado dos inimigos!
As desgraças de meu povo serão compensadas com prêmios,
e as injúrias que fizeste serão compensadas com fogo.

Chegou o dia do Senhor;
faça-se o feito ao feitor.
Que a tua retribuição
volte-se à tua cabeça.
Outras nações como tu
hão de beber desse monte,
e outras nações, como tu,
serão como se não fossem.

Mas cá haverá santuário,
para a casa de teu irmão.
A terra será devolvida,
as posses, recuperadas,
e a tua memória, esquecida,
que assim falou o Senhor.

Os povos do Norte, do Sul e do Oeste,
e as nações do Leste,
subindo, maldito, ao fim de teu monte,
cuspir-te-ão na fronte.
É o teu julgamento,
e toda a realeza será do Senhor.
Disse o Senhor meu Deus.

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Oito de julho

Publicado por Rafael Falcón em Quarta-feira, 8 dUTC Julho dUTC 2009

É um dia especial, porque é o aniversário do meu pai. Essa coisa de escrever mensagens para o pai é meio brega, mas este dia merece algumas notas que ressaltem sua importância.

Meu pai é um dos sujeitos mais ambíguos que já conheci na vida. Tem uma vontade imensa de se apegar a alguma coisa, mas se começa a apegar-se, vem um medo sobrenatural que lhe faz jogar tudo para o alto. Sua inclinação religiosa é inquestionável, mas o espírito de sociólogo não o deixa sair da esfera dos valores sociais para a dos valores metafísicos. Minha avó paterna – Deus a tenha -, a pessoa mais bonita que já conheci, parece estar sempre com meu pai, dizendo-lhe ao pé do ouvido que deixe de ser besta, que faça as coisas direito, que pare de agir como criança. A gente vê a minha avó no fundo dos olhos dele, o tempo inteiro.

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