Hoje se celebra o nascimento de Jesus Cristo, coroamento da santa Encarnação. Hoje significa não apenas o primeiro dia de vida daquele que salvou a Humanidade, mas um mistério insondável que é a condição mesma da missão de Jesus Cristo.
O ente misterioso, infinito e eterno cuja existência não passou despercebida ao intelecto de Aristóteles, o Ser que criou e mantém o mundo, Aquele Que É, o Fundamento Transcendente da Realidade, também chamado Deus, deu ao homem o maior sinal possível. Rompeu a barreira lógica entre o infinito e o finito, entre o transcendente e o imanente, entre criador e criatura, e se tornou Ele mesmo um produto limitado da criação. Ao realizar o Milagre por excelência, desprezando todos os limites da criação, Ele não escolheu, porém, outro ser, mas o humano. Com isso, declarou-nos criaturas especiais, merecedoras da maior graça imaginável. Tornou-nos, de criaturas que éramos, em filhos. Adotou-nos. E nos adotou fazendo-nos irmãos de Seu Filho, gerado antes de todos os séculos.
Agora somos filhos de Deus. Somos especiais, somos família para o Ente mais elevado que existe, o próprio Ser, o fim último de todas as coisas. Ele é nosso Pai, e nos ensinou a chamá-lo assim.
Ele quis ser como nós e, assim, elevou-nos a Ele. Ousou pedir-nos: “Sede perfeitos, como vosso Pai no Céu é perfeito”.
Hoje é o dia de agradecer-Lhe por ter-nos amado tanto, a ponto de quebrar as leis elementares da natureza para nos dar a Felicidade e a Vida. Hoje é o dia de visitá-Lo no sacrário, na comunhão, junto a tantos irmãos que, agradecidos, cantam seu “sim” e correm aos Seus braços abertos.
Alguns não se decidiram ainda a aceitá-Lo. Alguns não querem sacrificar seus vícios pelo Amor do único ser que realmente existe, porque É. Alguns não querem submeter-se à autoridade de sua Mãe, a Santa Igreja. Alguns reprimem ainda os santos impulsos de amor que pulsam em seu peito, o desejo de correr a Ele e entregar-se. Cobiça, despeito, paixões, más amizades, tudo pode ser motivo para não ter ido hoje à Santa Missa. Muitos não puderam, foram proibidos pelas leis, pela doença, por necessidades.
Mas mesmo os que não puderam ver Jesus no sacrário, em corpo e sangue de homem, podem vê-Lo como Deus Filho, na realidade que existe Por Cristo, Em Cristo e Com Cristo. Ele é o Verbo eterno pelo qual fomos todos criados, e nos assiste por fora e por dentro da alma. Seu Amor está por toda parte; Ele vê nosso amor, mesmo quando temos vergonha de expressá-lo, e sabe o quanto queremos amá-Lo. Ele nos convida a dizer, timidamente, cá dentro de nós: “obrigado, Jesus. Obrigado por ser meu Irmão”. Vamos esperar que todos percebam, neste dia, o tímido amor que se insinua dentro de cada um, e que o erro de hoje seja uma perfeita conversão amanhã. Natal é tempo de coragem, é tempo de quebrar os grilhões, de libertar-se para a Vida. Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo!