Rafael Falcón em Perspectiva

Porque em perspectiva tudo fica mais bonito

A Rosa Mística

Publicado por Rafael Falcón em Sexta-feira, 6 dUTC Novembro dUTC 2009

Eu andava pelas cidades e vales com a imaginação tomada por possibilidades. Pensava na vida, nos sentidos, na sociedade, na construção civil, na religião; pensava no que me aparecia como sendo parte da vida humana, aqui e acolá. Pensava na dor e na alegria, e era isso o que eu chamava de tristeza e felicidade, de mal e de bem.

Minha vida era ocasião de muitas desventuras, porque eu me entendia como um lugar em que as forças do destino brigavam, trazendo ora a felicidade, ora a tristeza, preenchendo-me, tomando-me. Minha vida era um enfadonho romance, pode-se dizer, com medíocres reviravoltas que me serviam mal no lugar de aventuras grandiosas e ficcionais.

Eis que passei dos limites e fiz mal a alguém; tirei-lhe a vida, a esperança e a possibilidade de voltar a viver. E logo vi que o mal não doía; antes era algo pacífico, neutro, objetivo até. O sofrimento que minha vítima sentiu não me feria. Logo percebi que quanto maior o mal menos dor havia! Porém eu sentia algo. Mas era diferente do que eu chamava de felicidade ou tristeza. Não era uma sensação, na verdade; era mais a percepção de um conflito. Pois toda sensação vem acompanhada de um impulso; o prazer atrai, a dor repele; mas esta era indecifrável, e era como dois impulsos que brigavam. Como um não vencesse o outro, pude distrair-me de seu combate mesquinho e examinar uma outra parte de mim que estava ali.

Assim vi que eu era três, e que a felicidade e a tristeza, conforme eu as entendia, não eram senão atrizes no palco da minha alma, cujo grande patrocinador e diretor era um terceiro. Este senhor distinto e elegante, aparentemente, passava os dias assistindo às encenações da dupla de meretrizes, que ele mesmo pagava e aplaudia, desinteressado de sua própria função na vida. Perdido de si, ele procurava concentrar-se no palco. E percebi que, distraído como estava, ele não dava àquela peça a sua unidade, não guiava os acontecimentos para um fim determinado, mas deixava as duas senhorinhas improvisarem continuamente. Como aquilo não parecia justo nem para elas nem para mim, tratei de acordá-lo, e lhe disse: – Anda! Que sem ti esta peça não acaba em tempo. Não podemos viver de improvisação! E ele, tirando uma rosa da lapela, entregou-me e disse: – Planta-a onde chove e faz sol, para que não pereça por secura nem seja afogada por enchentes. Tenho a rosa em mãos, mas és tu o responsável por plantá-la. E, se bem que ela deve ter água e luz, não me esquecerei de fazer com que cresça sempre para o alto; quanto a isso, é coisa da natureza que os contrários coexistam em benefício do que é superior.

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Contra mortem

Publicado por Rafael Falcón em Sábado, 31 dUTC Outubro dUTC 2009

Fecha os olhos e vê: há uma rosa vermelha
No topo da montanha, e não queres olhar.
Olha, olha! Já se agita
A brisa da montanha
Ela vai, como que colhe
A rosa da montanha
E valsando procura a teu lado pousá-la.

Procura; não pode. Esta brisa é instável;
Move-se, move-se, e a rosa desfaz.
Move-se;
Move-se…
Pétalas caem
Sobre o teu rosto
E o colo suave,
E sentes as pétalas roçando suaves
A pele grosseira que tu maltrataste.

E súbito vês: não era mais rosa!
Líquidas pétalas cobrem de sangue
O teu colo vermelho, teu rosto gentil
E vês que teus pés vão-se rápido fixando
Tornando-se caule, tornando-te rosa;
És rosa e contemplas, do alto da montanha,
Os vales abaixo… os rios defluindo,
Uma moça chorando aos pés da montanha!…

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Tantum

Publicado por Rafael Falcón em Sexta-feira, 30 dUTC Outubro dUTC 2009

Eu estava num ponto de ônibus quando vi uma moça passar. Sisuda, andar firme, não olhava para os lados. Nem um pingo de doçura. Era rígida, dessas mulheres que não se amam; quem ama esta mulher? Não sei; a ideia parece-me absurda. Mas ela passava frígida, lábios espremidos com força debaixo do nariz adunco. Magricela. Odiei. Que passe, pensei, rápido como as dezenas de outras iguais que vejo neste ponto de ônibus. Que passe.

Mas ela viu chegar seu ônibus, o que me deu uma pontinha de raiva. Pude ver a expressão desagradável em seu rosto moldar-se a algo como esperança, mas esperança num rosto desagradável. Odiei sua satisfação, ela que não sorria, que não amava; ela que eu não amava. Irritei-me; esperava há mais de quinze minutos pelo meu ônibus.

E ela subiu no ônibus contente, completamente despreocupada da minha espera, da minha angústia. Ela sorria aliviada, quando meu alívio estava longe de chegar. Era injusto; mas ela caiu e, parece, torceu o tornozelo. Às portas do ônibus, que azar.

(Trata-se, é claro, de um nobre sentimento, quando queres renunciar à sobrelevação natural aos homens, anunciando ao mundo que sim, pecaste, pecaste porque és fraco, todos somos et cetera.

Bem queria compor alguma pequena ode ao homem para louvar-lhe a incapacidade de não ser ridículo; na verdade, em verdade vos digo que eu gostaria de sentir-me culpado. Em verdade vos digo que eu gostaria de ter profundos complexos psíquicos por causa disto. Gostaria de ser um religioso problemático envolto nalguma sensação incomunicável.

Sinto-me apenas ridículo. E descobri o sentido do pecado: é algo ridículo. Não é terrível nem monstruoso. É ridículo como uma ameba cuspindo. O pecado é uma ameba cuspindo)

Quando ela caiu eu ri de satisfação. E aproveitei para olhar a calcinha aparecendo entre as pernas abertas. Aquelas pernas abertas que nunca seriam amadas. E eu cuspi nelas, cuspi com toda a minha imaginação. Cuspi com o ódio de quem sabia que, fazendo aquilo, libertava-se da escravidão de ter que sempre amar e respeitar as mulheres frígidas dos pontos de ônibus. Eu não queria mais amar. Eu queria ser livre.

Então fui livre como uma ameba, e finalmente pude rir, rir sem parar. Pude desprezar toda a gente ao meu redor, que acorria para salvá-la ou ver sua desgraça. Pude rir sem jeito de mim mesmo, por ter querido bem àquelas moças duras, inamáveis, por ter querido querê-las bem… Então eu fui livre, e foi como se já não vivesse. E descobri outra coisa: que a liberdade é triste como uma semente que desistiu de brotar. Eis-me desbrotado, a dar os falsos frutos do meu pecado. Sou ridículo. Ridículo como Dostoiévski.

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Ando pensando

Publicado por Rafael Falcón em Segunda-feira, 12 dUTC Outubro dUTC 2009

Sei que parece incrível, mas é verdade. Ando pensando muitas coisas, mas agora estou com esse estranho hábito de pensar direito antes de sair falando. Tenho ideias, mas todas são como faíscas saindo da pedra de acender fogo. A fogueira mesmo ainda vai demorar para sair. De qualquer modo, às vezes sai um fogo-de-palha que eu posto no blog.

Sei que você se acha muito esperto, mas eu também percebi que faz meses que não posto nada sem o nome de Deus. Ôps, fiz de novo. Andei preocupado com a minha relação com Ele, mas agora estamos nos resolvendo, aos poucos e com muitas concessões da parte dEle, esse Amor de Pessoa. Não mereço nem metade das concessões, mas o amor não é assim? É sim.

Alguns dos possíveis temas dos meus próximos posts (porque são assuntos sobre os quais ando tendo insights) são: educação, linguagem, casamento/filhos (isso mesmo, com aquela nanica), misticismo, desenvolvimento da personalidade/hipnose. Tem mais coisas, mas isso é o que lembro agora. Vai saber o que vou tirar disso tudo. Tchau.

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Crer ou não crer

Publicado por Rafael Falcón em Sábado, 19 dUTC Setembro dUTC 2009

Deus fala conosco. Não só por milagres, os sinais incontestáveis que ele fornece para chocar o entendimento humano; não só pela instituição chamada Igreja Católica, que interpreta, divulga e resguarda Seus mandamentos misteriosos; não só pelas Escrituras, que são o testemunho de Sua encarnação incompreensível. Deus fala, sempre que o mundo existe; fala por meio das outras pessoas, mesmo quando elas não percebem; fala pelos fatos. A realidade é a linguagem de Deus; eis porque jamais há contradição entre Deus e a realidade.

Deus não fala só com os que professam a fé católica, nem só com os que professam alguma fé. Ele fala com todas as pessoas, porque os fatos existem para todos os seres inteligentes. E Ele não apenas fala; seu discurso eterno é apaixonado, intenso, pessoal. Deus nos ama individualmente e pessoalmente, sim; Ele fez nossas almas uma por uma, e planejou nossa salvação de acordo com as nossas necessidades particulares. Deus nos ama pessoalmente e infinitamente, como só Ele pode amar.

Eis por que crer em Deus não é uma questão de sofrer uma revelação ou ver um milagre. Crer em Deus é uma coisa perfeitamente natural; decorre da razão mais plena, do uso mais completo de todas as faculdades e sentidos humanos. O homem só deixa de crer depois de duvidar dos seus primeiros instintos; depois de entrar no mundo das abstrações, em que ele pode tentar se imaginar visto de cima. Abandonar a crença é um ato de artificialismo, abstração e desconexão com os sentidos e com a realidade.

Quando deixaste de crer? Com cinco anos? Não; com treze ou quinze, certamente. Mas é que acreditavas porque teus pais te diziam? Não; é que crer era perfeitamente natural. Não acreditavas quando te diziam que brincar na chuva fazia mal; isso, querias testar. Nem creste quando disseram que o mundo era mau; saíste para verificar. Mas creste logo em Deus, que não corresponde a nenhum objeto particular, que é uma idéia tão exótica, tão sem analogia; e creste com tal pureza que sabias exatamente quem era Deus. E por que deixaste de crer? Porque questionei, dizes. E por que questionaste? Porque fui esperto; porque aprendi que a religião é usada para dominar as pessoas. Mas não pode a verdade ser usada para dominar as pessoas? É claro que pode. Então não foi por isso que duvidaste da verdade divina. Por que foi? Posso apenas especular. Será que tiveste mágoas? Sofrimentos? Alguém te castigou e atribuíste a Deus? Foste torturado, estuprado, assassinado? Não parece.

Parece mais que quiseste inovar, ser diferente; ou que percebeste que professar fé em Deus não era de bom-tom, que te fazia parecer tolo; seguir mandamentos da Igreja? Assim não és independente, não pensas com liberdade; ou pelo menos é o que dirão os demais. Então escolheste os grilhões dos outros, que te proíbem de professar religião, e agora não podes crer, não podes confiar na Igreja, sob pena de exclusão da elite dos livres-pensadores. Agora escolhes tuas crenças cuidadosamente; será que o céu é azul? Vejamos o que dizem meus amigos, ou os autores que lhes dizem o que pensar.

É claro que não é tão simples. Há também a questão da auto-imagem. Como poderias gostar de ti mesmo se fosses igual àquele crente ignorante, sujo e desesperado? Como poderias suportar a existência seguindo os mesmos passos na fé que seguiram os teus pais? Sem mostrar a eles que estão errados, que não pensaram direito? Poderias lidar com a vida se não inovasses um pouquinho? Se não fosses mais inteligente que quem te gerou?

Ou dirás que não, não foram esses teus motivos; foi a razão, pois viste que Deus é um absurdo. E como foi que viste isso? Não foi segundo a lógica de Aristóteles, que concebeu Deus antes de qualquer cristianismo. Foi por sociologismos e fisiologismos? Pensaste que a fé, tendo usos políticos, perde sua validade metafísica? Seria um erro simples de raciocínio. Ou pensaste que a fé é uma necessidade psicológica humana? Se for, como deixaste de crer e estás vivo? És mais forte que S. Tomás de Aquino? Que Descartes, Leibniz, Spinoza? No entanto, se fosse uma necessidade psicológica, isso não provaria sua falsidade metafísica, novamente. Ou seja, não podes ter deixado de crer por causa da razão. A razão não contradiz a fé; quando não a apóia, cala-se.

Então por que deixaste de crer, pergunto? Nem eu sei nem, talvez, tu sabes. Mas Deus sabe, e fala contigo; bem tentas fingir que não vês, mas não podes. Os fatos te dizem: “Eu existo”, mas gritas que não e corres. Os fatos te dizem: “Estás errado”, mas fechas os olhos com força e repetes “estou certo, estou certo”. Os fatos te dizem: “Vem para a vida” e tu corres para as garras da morte eterna. Naquele último dia, poderás dizer que não viste? Sabes bem que não. E terás mais essa dor na consciência: “a culpa é toda minha”, para sempre.

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Para que trabalhar

Publicado por Rafael Falcón em Segunda-feira, 7 dUTC Setembro dUTC 2009

O trabalho é a transformação de uma matéria natural em algo propriamente humano. Em última instância, todo trabalho envolve a industrialização de algo; se não do produto, ao menos do homem que trabalha. Trabalhar não é propriamente receber um salário ou ter carteira assinada; é fazer algo de que outras pessoas precisam, de modo contínuo e cada vez mais perfeito. Trabalhar é, finalmente, aperfeiçoar-se na caridade.

O homem que não trabalha é algo menos que um homem. Uma vez você me disse: “o trabalho brutaliza o homem”; mas o homem que não trabalha está tão embrutecido que, se o trabalho o brutalizasse, não conseguiria mudar muita coisa. O bruto é o que não foi transformado, o que está como veio ao mundo; o único modo de passar do embrutecimento à humanidade é pela transformação do trabalho. Portanto o trabalho não brutaliza e, muito mais, é apenas ele que pode humanizar. Porque o trabalho é o exercício constante e evolucionário do amor; e é só pelo amor que o homem se torna homem.

Tudo o que fazemos pode ser trabalho, mesmo as coisas menores. Pergunte a si mesmo se essa coisa, que você faz uma vez por semana, é feita com dedicação; será que você planeja antes de fazer? Que se entrega? Que impõe um sorriso ao seu rosto e anima seus companheiros? Será que você pensa no bem-estar daqueles que recebem os frutos do seu trabalho? Será que pensa em Deus?

Conversar com os amigos e conhecidos também pode ser trabalho. Quando conversamos com as pessoas, geralmente não levamos aquilo a sério, não temos objetivos e frequentemente usamos a ocasião para externar nossos pensamentos e sentimentos. Mas se isso fosse um trabalho pensaríamos nos amigos como nossos beneficiários, procuraríamos fazer o máximo possível por eles, e nossas conversas seriam oportunidade de crescimento para os dois: para nós, porque cresceríamos no amor e na vontade; para eles, porque teriam quem os ouvisse e ajudasse. Que coisa ótima é quando a amizade é um trabalho!

Percebe-se, por fim, que o homem mais humano que existe é aquele para quem tudo é trabalho; tudo é ocasião de dedicação e amor; tudo tem sentido; tudo é aproveitado. E que o homem menos humano que há é o que não se dedica a nada, não quer nada, não termina nada; para ele, nada merece amor e entrega; nada é possível; nada o impele para a frente. Isto não é um homem, é um dente-de-leão agitado pelas menores brisas do campo. O trabalho melhora e aperfeiçoa tanto ao homem como ao produto material do seu trabalho. É por isso que Cristo, esse para quem tudo era trabalho, diz: Sede perfeitos, assim como vosso Pai no Céu é perfeito.

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Arrogância II

Publicado por Rafael Falcón em Quinta-Feira, 13 dUTC Agosto dUTC 2009

“Quero escolher meus objetivos, decidir meus ideais”, você me diz. Mas o que você escolherá? O que lhe agrada? Assim passará a vida ansiando pelo prazer. O que lhe parece que é o Bem? Apesar de mais certo, sua capacidade de julgar é obnubilada pela aparência das coisas. Como pode saber o que é melhor para você?

“Mas, se eu não fizer minha escolha, quem a fará por mim?”, você me pergunta. Eu e você sabemos quem fará, contanto que você peça humildemente. E sua escolha final será aceitar, sem questionar, a Sua decisão. Esta é a nossa pequena e maravilhosa liberdade: aceitarmos o que a realidade nos destina, ou nos debatermos contra ela, inutilmente, até a morte.

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Arrogância

Publicado por Rafael Falcón em Terça-feira, 11 dUTC Agosto dUTC 2009

Você quer conquistar seus ideais e alcançar seus objetivos. Mas se não bastasse toda a ordem da natureza, que resiste impassível aos seus planos, há ainda tantos homens semelhantes, que desejam conquistar liberdade para si próprios, às custas da sua! E você pensa que sua vontade é maior que todas as vontades humanas juntas? Pobre-diabo, que quer ser Deus!

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Canção da Tarde no Campo

Publicado por Rafael Falcón em Sexta-feira, 24 dUTC Julho dUTC 2009

Cecília Meireles

Caminho do campo verde,
estrada depois de estrada.
Cerca de flores, palmeiras,
serra azul, água calada.

Eu ando sozinha
no meio do vale.
Mas a tarde é minha.

Meus pés vão pisando a terra
Que é a imagem da minha vida:
tão vazia, mas tão bela,
tão certa, mas tão perdida!

Eu ando sozinha
por cima de pedras.
Mas a flor é minha.

Os meus passos no caminho
são como os passos da lua;
vou chegando, vais fugindo,
minha alma é a sombra da tua.

Eu ando sozinha
por dentro de bosques.
Mas a fonte é minha.

De tanto olhar para longe,
não vejo o que passa perto.
Subo monte, desço monte,
meu peito é puro deserto.

Eu ando sozinha
ao longo da noite.
Mas a estrela é minha.

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Profecia

Publicado por Rafael Falcón em Segunda-feira, 13 dUTC Julho dUTC 2009

Ouvi o que ouvi do Senhor:
Rafael, disse Ele, Rafael
Levanta-te, Rafael! Acorda
contra ele em armas! Eu disse, eis as armas:

O Senhor manda dizer,
feroz, que tua arrogância
te engana, e que se habitante
das fendas de altos rochedos,
se elevas a tua morada,
se dizes contigo que o homem
não pode daí derribar-te,
acertas, bandido, mas erras:
ainda que sejas como águia
e eleves o ninho às estrelas,
Eu, que sou mais que as estrelas,
derribo-te, ingrato, do mundo.
Disse o Senhor meu Deus.

O ladrão que penetra teu lar
não te deixa o que comer?
A praga que mata a colheita
acaso não deixa os caules?
Pois tu, selvagem, roeste
os ossos de teu irmão;
tu te regozijaste
no sangue de teu irmão;
tu, maldito, louvaste
os males de teu irmão.

Eu danarei os teus sábios,
disse o Senhor meu Deus.
tirar-te-ei o entendimento,
farei ter medo os mais bravos
dentre os vossos aliados,
de modo que homem algum
da montanha de Esaú
permaneça sobre a terra.
Disse o Senhor meu Deus.

Covarde, não te apropries dos bens de teu irmão!
Selvagem, não te coloques às portas das cidades!
Ingrato, não te jubiles ao lado dos inimigos!
As desgraças de meu povo serão compensadas com prêmios,
e as injúrias que fizeste serão compensadas com fogo.

Chegou o dia do Senhor;
faça-se o feito ao feitor.
Que a tua retribuição
volte-se à tua cabeça.
Outras nações como tu
hão de beber desse monte,
e outras nações, como tu,
serão como se não fossem.

Mas cá haverá santuário,
para a casa de teu irmão.
A terra será devolvida,
as posses, recuperadas,
e a tua memória, esquecida,
que assim falou o Senhor.

Os povos do Norte, do Sul e do Oeste,
e as nações do Leste,
subindo, maldito, ao fim de teu monte,
cuspir-te-ão na fronte.
É o teu julgamento,
e toda a realeza será do Senhor.
Disse o Senhor meu Deus.

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